Por Luiz Felipe Albuquerque
Da Página do MST

Fotos: Leandro Taques

A mística de abertura da 13º Jornada de Agroecologia, realizada nesta quarta-feira (4) na Escola Milton Santos, em Maringá (PR), deu a tonalidade das discussões que nortearão o encontro pelos próximos três dias.


De um lado, a denúncia ao avanço do modelo de agricultura do agronegócio e suas consequências ao conjunto da sociedade.


Do outro, a proposto defendida pelos movimentos sociais do campo, que se baseiam nos princípios da soberania popular, da agroecologia, do respeito ao meio ambiente, da educação e organização.


Camponeses e camponesas, estudantes, pesquisadores e integrantes de organizações sociais somam as 2500 pessoas que participam da 13º edição da jornada, que acontece entre os dias 4 a 7 de junho.


Na avaliação de Céris Luiza Hadich, coordenadora da jornada e integrante do MST, nas últimas décadas o capitalismo vem construindo seu projeto de agricultura para o país, desde a chamada Revolução Verde na década dos anos de 1960, aos dias atuais, com a incorporação de um agronegócio mais modernizado, com novas tecnologias e gerando diversas consequências sociais, econômicas e ambientais constantemente negadas por este setor.


“Os camponeses perceberam que tinham que construir outro projeto de agricultura para o país, que são quem realmente alimentam a sociedade. A saída foi a agroecologia, que a partir dos anos 2000 se tornou nossa bandeira estratégica de luta”, contextualizou Céris sobre o surgimento das Jornadas de Agroecologia.


Nesse sentido, a jornada se consolidou numa escola permanente de construção da agroecologia e embate ao agronegócio. “Essa construção se dá no dia a dia, mas culmina seu auge durante esses quatro dias. A agroecologia é o acúmulo da classe trabalhadora, e construí-la significa lutar por um outro projeto de sociedade”, pontua.


Principal obstáculo


Para o advogado e coordenador do Terra de Direitos, Darci Frigo, o principal obstáculo para o avanço da agroecologia enquanto um projeto de sociedade é o agronegócio. “São modelos incompatíveis, com valores diferentes que não permitem a coexistência”.


Eficiência na produtividade, equidade social, equilíbrio ambiental e a garantia ao acesso aos bens comuns são os valores da proposta camponesa apontado por Frigo, antagônicos ao projeto das empresas multinacionais.


Nesse sentido, Frigo denomina de “agroestratégia” as diversas táticas do agronegócio para impedir o avanço da proposta dos movimentos sociais, que “avança sobre nossas terras e mentes”.


A invasão dos territórios camponeses e das comunidades tradicionais com seus pacotes tecnológicos, o desmonte da legislação ambiental, a aliança aos meios de comunicação e ao Estado foram alguns dos pontos levantados por Frigo.


“Não existe um espaço infinito onde o agronegócio possa avançar sem se confrontar com outras formas de agricultura. Por isso que a Reforma Agrária não avança, que não há demarcação de terras indígenas e nem reconhecimento das terras quilombolas”, aponta.


Para ele, “a direção do projeto do agronegócio vai na direção contrário aos direitos humanos e à agroecologia”.


No final da tarde, os partcipantes puderam assistir ao novo filme do diretor Silvio Tendler, O Veneno está na mesa II.