Por Guilherme Weimann
Do Plebiscito Constituinte


No último sábado (24), 1.100 pessoas, de aproximadamente oitenta municípios, reuniram-se na Quadra do Sindicato dos Bancários, localizada no centro de São Paulo, para o curso de formação do Plebiscito Popular pela Constituinte Soberana e Exclusiva do Sistema Político, denominado Curso dos Mil.


Em todo o Brasil, mais de 400 comitês e milhares de pessoas já aderiram à construção do plebiscito pela reforma política. Organizado por diversas organizações sindicais e populares, o Plebiscito será realizado entre os dias 1 e 7 de setembro.


Neste período, toda a população poderá responder à pergunta: “Você é a favor de uma constituinte exclusiva e soberana sobre o sistema político?”


Resposta às ruas


Durante a abertura da plenária, o deputado federal Renato Simões relembrou as circunstâncias que levaram as diversas organizações populares a construírem o Plebiscito. “Aquele famoso ‘não me representa’ esteve presente em praticamente todas as manifestações de junho. E de fato esse sistema político ‘não nos representa’.”


Para o deputado, o Plebiscito servirá justamente para politizar as reivindicações que emanaram das ruas nas últimas mobilizações de junho. Para ele, reivindicações de melhorias na saúde, educação, transporte e contra a corrupção só poderão ter sucesso com uma mudança estrutural no sistema político.


Também neste sentido, a integrante da Marcha Mundial de Mulheres (MMM), Sonia Coelho, relembrou que todas as formas de exclusão são resultado do atual sistema político. “Nós vivemos em um sistema capitalista, patriarcal e racista. Esses três elementos se retroalimentam. Não existe, por exemplo, capitalismo sem racismo.”


Para Sonia, é necessário combater a subrepresentação das mulheres, dos negros e dos indígenas, presente em todos os âmbitos da sociedade atualmente. As mulheres, por exemplo, apesar de representarem 51% do eleitorado tem apenas 8% de representação Câmara dos Deputados.


Democracia direta já!


Em sua fala, o coordenador da Central de Movimentos Populares (CMP), Raimundo Bonfim, afirmou que o Plebiscito Popular não se restringe apenas à reforma do sistema eleitoral ou melhorias nos canais de democracia representativa.


Segundo Raimundo, é essencial a luta pelo fim do sistema privado de campanha, por exemplo, mais a luta estratégica do Plebiscito é aumentar e legitimar os espaços de democracia direta da população.


“Hoje em dia, os canais institucionais de democracia direta não tem caráter deliberativo e é isso que nós temos que mudar. Precisamos aperfeiçoar os espaços de democracia direta no nosso país”, afirmou Raimundo.


Faltando três meses para o Plebiscito, que ocorrerá entre os dias 1 e 7 de setembro deste ano, esta foi a primeira formação de caráter massivo. Nos próximos meses, a proposta dos organizadores é realizar Cursos dos Mil em todos os estados brasileiros.