Da Página do MST

Na última terça-feira (13), uma mega operação da Polícia do Estado do Paraná invadiu o Assentamento Ireno Alves dos Santos, em Rio Bonito do Iguaçu, região Centro do estado.
 

Um mandado de busca e apreensão expedido pelo Poder Judiciário da Comarca de Quedas do Iguaçu e de Laranjeiras do Sul teve com o objetivo colher qualquer prova, sob o pretexto de prender criminosos e madeireiros.


Segundo as famílias, residências dos assentados foram invadidas pela polícia, ao intimidarem e coagirem familiares expondo-os à humilhação. Ainda contam que um professor universitário foi retirado da sua própria sala de aula, sem autorização da direção, sem mandado judicial, violando princípios elementares da Constituição.


Mais de uma centena de policiais com cerca de 50 viaturas participaram da investida.


Durante a operação, entretanto, nada foi encontrado. Para os Sem Terra, a ação foi baseada em argumentos infundados de uma suposta investigação, já que comprovou a inexistência de criminosos ou qualquer tipo de objetos nas residências em que foram efetivadas as buscas.


Em nota, a direção estadual do MST acusa o Estado do Paraná de ter liberado dinheiro dos cofres públicos para fazer a manutenção “de suposta operação investigativa, uma desastrada ação policial que nada encontrou, mas envolveu mais de uma centena de policiais e cerca de 50 viaturas, num completo desnecessário dispêndio de recurso público”.


Para os Sem Terra, “percebe-se que o governo do estado está investindo em financiamento de investigação para empresa privada e não priorizando os interesses que demandam do povo, como por exemplo, o descaso e morosidade com a educação pública de qualidade para a população, pois a categoria recentemente esteve em greve”.


Motivo


A direção estadual do MST acredita que a ação da polícia se deve ao fato do MST estar organizando um acampamento, que fica dentro de uma área do Projeto de Assentamento Ireno Alves dos Santos.


A área ocupada pelos Sem Terra pertence à Empresa Araupel. Porém, o Movimento alega que a Araupel não tem comprovado, até então, ser a legítima proprietária das terras que ocupa.


A área está em processo judicial, já que há diversas evidências de que se trata de terras públicas, pertencentes à União.


Em torno de 1700 famílias Sem Terra, na maioria filhos e filhas de assentados e trabalhadores da região, se organizam para lutar pela área e cobrar do Estado que a função social da área da seja cumpra. 


Ainda segundo a nota da direção estadual, o Poder Judiciário “tem demonstrado de que lado está quando se trata de defender o povo, revelando o apoio a mais grosseira defesa e preservação da injustiça social que aflige, humilha, despreza e, às vezes, até mata trabalhador.” 


Em contrapartida, “tem se encarregado de impedir qualquer proposta, ainda que prevista em lei, de políticas públicas, como da Reforma Agrária e da urbana, capazes de ameaçar, ainda que remotamente, históricos privilégios do tipo de propriedade privada de terra que impera no Brasil”.


Reação no Congresso


Logo após a ocupação da Araupel, o Senador Tucano Álvaro Dias, conhecido por ser um árduo defensor dos interesses dos latifundiários e do agronegócio, discursou no Congresso Nacional contra a luta dos trabalhadores rurais sem terra e em favor da empresa. 


“No poder legislativo assistimos a truculência, mentira e arrogância mais uma vez tentando se perpetuar, representada pelo Senador Tucano Álvaro Dias, que em vez de atender as demandas de todo povo trabalhador do Paraná, continua defendendo com informações irreais, os interesses do agronegócio, a exemplo visto, na última semana em seu discurso na Tribuna do Senado, em defesa da Empresa Araupel”, protesta a nota.