Por Vanessa Ramos
Da Página do MST

Assentada no Zumbi dos Palmares, em Campos dos Goytacazes, Norte Fluminense do Rio de Janeiro, Gilcilane Paes Pereira, 44 anos, foi encontrada morta no quintal da casa pelo marido, U.F.B.L., por volta das 18h30, no dia 15 de maio. 


A filha de 10 anos, que estava com a mãe na hora do crime, ainda está desaparecida. De acordo com a polícia, o corpo da vítima tinha sinais de pauladas e facadas. 


Cerca de 150 assentados estão mobilizados na tentativa de encontrar a menina. Segundo Francisco de Assis, Coordenador Regional do MST-RJ, o marido está em estado de choque, na casa dos pais.


José Otávio Fernandes, delegado federal do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) no estado, afirma que o crime não tem conotação fundiária. “A vítima era esposa de um assentado, mas, não tinha militância política. A polícia está investigando o caso”.


Esse é o quarto assassinato na região em pouco mais de um ano. Em janeiro de 2013, Cícero Guedes dos Santos, de 49 anos, da coordenador do MST, foi encontrado morto em Campos. 


Em fevereiro do mesmo ano, Regina dos Santos Pinho, de 56 anos, foi assassinada na região. Em fevereiro desse ano, Carlos Eduardo Cabral Francisco, de 41 anos, foi encontrado morto no canavial. Todas as vítimas eram assentadas no Zumbi dos Palmares.


“Isso demonstra mais uma vez a omissão dos órgãos responsáveis pela Reforma Agrária no Brasil”, disse Elisângela Carvalho, da direção nacional do MST. 


Para ela, a falta de infraestrutura nos assentamentos gera insegurança e violência. Nos Zumbis, por exemplo, não há iluminação, estrada, transporte público, muito menos patrulhamento no local.


“Além da violência caracterizada por assassinatos, existem outros tipos de violência. A violência com a educação, além do descaso no campo. Por isso, temos que continuar denunciando e a sociedade precisa entender isso. A Reforma Agrária Popular se faz extremamente necessária nesse momento”, concluiu Elisângela.


O Assentamento Zumbi dos Palmares foi o primeiro assentamento do MST na região, fruto da desapropriação da fazenda São José, há 17 anos. Cerca de 510 famílias estão assentadas no local, que soma aproximadamente 8.500 hectares.