Por Iris Pacheco
Da Página do MST

A Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF) foi palco do 3° Seminário Nacional O MST e a Pesquisa - Desafios da Pesquisa na luta e construção da Reforma Agrária Popular, durante os dias 8 a 10 de maio. 


O seminário contou com a participação de professores de diversas universidades públicas, coordenações político pedagógicas de cursos formais do MST; coordenação dos setores do MST e convidados da Via Campesina Brasil.


O objetivo foi discutir o projeto de Reforma Agrária Popular para firmar a compreensão sobre sua concepção e fundamentos, e como apropriar a ciência e as práticas de pesquisa nos processos formativos de trabalhadores vinculados ao MST.


Além de analisar as contradições, possibilidades e exigências para o desenvolvimento de práticas científicas comprometidas com as lutas da classe trabalhadora, do campo e da cidade no atual período. Bem como, formular proposições para o trabalho com pesquisa desde o conteúdo, método, relações sociais de produção.


Segundo Luiz Zarref, militante do MST em Goiás e membro do grupo de estudos Modos de Produção e Antagonismos Sociais (MPAS-UNB), essa articulação entre movimento e universidade é fundamental, e cumpre com a “rearticulação e aprofundamento da relação movimentos sociais no âmbito do desenvolvimento da pesquisa e tecnologia voltada a emancipação humana e o avanço da classe trabalhadora camponesa”.


A programação do seminário foi composta por debates em plenária, ao ser debatido a compreensão do projeto do capital para o campo brasileiro e, em contrapartida, a proposta dos movimentos camponeses, a apropriação do desenvolvimento cientifico pelo capital, em contraponto a proposta que visa a emancipação humana de pesquisa.


Destacado como “um encontro auto determinado” por professores e pesquisadores do Brasil inteiro, o seminário é um momento histórico marcado por saltos qualitativos.


Celli Tafarel, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), destacou três aspectos altamente relevantes da atividade.


“O primeiro é a retomada e o aprofundamento do debate e dos estudos a respeito do projeto histórico socialista. O segundo é o debate aprofundado sobre a ciência: nas mãos de quem ela está nos modos de produção capitalista? Fundamentalmente uma tomada de posição para o aprofundamento dos estudos a partir do materialismo histórico dialético. E terceiro é que estamos estabelecendo nexos e relações entre um programa de Reforma Agrária voltado para a soberania alimentar da nação”, salientou.


Grupos de Trabalho

Para além da plenária, os participantes também realizaram debates em grupos de trabalho divido em três eixos: o desenvolvimento do capitalismo e estágio atual da luta de classes, as Contradições entre Agricultura Capitalista e Agricultura Camponesa, e Trabalho, cultura e educação.


Para Paulo Alentejano, professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), esse aprofundamento é central para “entender melhor o processo de desenvolvimento capitalista no campo brasileiro e as contradições que estão envolvidas”. 


Ele acredita que é preciso pensar o estágio atual da luta de classes no campo e também a contraposição da agricultura camponesa à agricultura capitalista, simbolizada no agronegócio. “E refletir sobre os desafios e em como avançar nos processos de pesquisas para que possam dar respostas para essas dificuldades e fazer avançar a luta no campo”, ressalta.