Da Página do MST


Mais de 350 mulheres e crianças Sem Terra ocuparam a sede da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em João Pessoa (PB), durante a Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária. 


A ação, que aconteceu na última quinta-feira (8), reivindica a suspensão da normativa que inviabilizou a entrega de bolos, doces e outros produtos produzido por grupos de mulheres nos assentamentos para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). 


Esses alimentos são adquiridos pelo governo diretamente das camponesas, assentadas da Reforma Agrária, para a formação de estoques estratégicos e distribuição à população em maior vulnerabilidade social.


Os diversos grupos de mulheres produtoras presentes na ocupação fizeram investimentos para a compra de equipamentos e adaptação às exigências de produção, se adequando as normas de entrega de produtos ao PAA. 


Entretanto, foi lançada uma normativa com novas regras, que de forma incoerente não deu prazo de carência para as mulheres se adaptarem as novas exigências, o que trouxe prejuízos as trabalhadoras rurais. 


Segundo Juliane, do MST, “as mulheres estão organizadas para conseguir a suspensão dessa normativa que inviabiliza a entrega da nossa produção, além de exigir melhoria no atendimento aos agricultores em todos os armazéns, já que precisamos chegar na noite anterior e dormir na rua pra conseguir atendimento na manhã seguinte”, denuncia.


Durante a ocupação uma comissão de mulheres Sem Terra foi recebida pelo superintendente da Conab, ao negociarem uma pauta com outras demandas como, garantia de recursos para a contratação de projetos, implantação de formas simplificadas para a compra do milho, mudança do diretor do Armazém de Patos e aluguel de silos nas regiões.


Conquistas das Mulheres


Na continuidade da jornada de lutas, as mulheres participaram de uma reunião na sexta-feira (9) com a Agência Estadual de Vigilância Sanitária (AGEVISA) e com a Secretaria de Estado do Desenvolvimento da Agropecuária e da Pesca (SEDAP).


Ambos os órgãos se comprometeram em fazer os laudos para os grupos de mulheres continuarem entregando os produtos ao PAA. 


Os representantes da ANGEVISA também participaram de uma reunião em Brasília nesta segunda (12) e terça-feira (13), onde irão apresentar à Agência Nacional de Vigilância Sanitária as incongruências da normativa que prejudicou as mulheres camponesas.