Da Página do MST
 

Milhares de Sem Terra já deram início a Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária deste ano, que concentra a maior parte das suas ações entre os dias 28 de abril a 10 de maio.


Em 17 estados, os Sem Terra já realizaram 25 ocupações de terra, 17 prédios públicos também foram ocupados, além de trancamento de rodovias, acampamentos e marchas pelas cidades.


Neste ano, duas datas importantes da história da luta pela terra no Brasil serão lembradas: os 18 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, quando 21 Sem Terra foram brutalmente assassinados pela Polícia Militar, no município de Eldorado dos Carajás (PA), em 1996, e os 50 anos do golpe militar.


Durante as mobilizações, os Sem Terra denunciam a estagnação da Reforma Agrária nos últimos três anos, exigindo um plano emergencial do governo federal para o assentamento das mais de 100 mil famílias acampadas, a paralisação do Programa Nacional de Habitação Rural, a reivindicação de um novo crédito para a agricultura familiar, a ampliação e fortalecimento de programas de compra de alimento direto dos assentados (PAA e Pnae), a retirada do tema da titulação dos assentados da MP 636 e medidas que garantam educação nos assentamentos.


Em paralelo as mobilizações, mais de 45 universidades públicas também se somam à luta dos Sem Terra e promovem a Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária, realizada ao longo de todo o mês de abril.


MS

A sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, amanheceu ocupada pelos movimentos sociais do campo nesta segunda-feira (5), como parte das atividades da Jornada Nacional de Luta pela Reforma Agrária. 


Além do Incra, os Sem Terra também ocuparam o Banco do Brasil, em Aquidauana, e trancaram as rodovias 163 (Itaquirai) e 267 (Nova Andradina). Os movimentos exigem a criação de mais assentamentos, maior agilidade do poder judiciário para liberar a desapropriação de terras, infraestrutura para os assentamentos, mais créditos, construções de casas, entre outros assuntos.
 

RN

Na manhã desta segunda-feira (5), cerca de 500 pessoas do MST trancaram a rodovia BR 304, que liga a cidade de Natal a Mossoró, no Rio Grande do Norte. Os Sem Terra denunciam o descaso da Reforma Agrária no estado, o sucateamento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a consequente falta de celeridade nas desapropriações de terras. 
 

CE
 

Milhares de trabalhadores rurais Sem Terra realizam diversas ações, nesta segunda-feira (5), no estado do Ceará. Em Limoeiro do Norte, cerca de 1000 trabalhadores de diversos movimentos sociais ocuparam o perímetro irrigado na chapada do Apodi. Segundo os movimentos sociais, dos 10 mil hectares do projeto de irrigação, quatro mil estão invadidos e grilados por empresas nacionais e transnacionais do agronegócio. As organizações exigem a retomada dessas áreas pelas famílias camponesas.


Já no município de Ibaretama, 400 famílias ligadas ao MST fecharam a rodovia CE-060, conhecida como rodovia do algodão. Os manifestantes repudiam a ação cometida por jagunços na última sexta-feira (2), quando três Sem Terra foram feridos. Desde o dia 22 de abril, 237 famílias do MST acampam em frente à Fazenda Bonito, e reivindicam a desapropriação desta e outras áreas, além da construção de 200 casas para os assentados.


Na mesma data, famílias organizadas pelo MST junto ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais do município de Quixeramobim (CE) também ocuparam a Fazenda Boa Vista. Outras 100 famílias ocuparam a fazenda Viana, no município de Itarema.

 

SP

Cerca de 450 famílias do MST reocuparam na manhã desta quinta-feira (1) a Fazenda Martinópolis, no município de Serrana, interior do estado de São Paulo. É a 11° vez que os Sem Terra ocupam a fazenda. O último despejo da área aconteceu no começo do mês de abril. Na ocasião, o arcebispo da Arquidiocese de Ribeirão Preto, Dom Moacir Silva, visitou as famílias e declarou apoio à luta.


TO


Mais de 150 famílias do MST, do acampamento Carlos Marighela, ocuparam a Fazenda Novo Mundo, no município de Araguatins (TO), nesta quinta-feira (1). Segundo os Sem Terra, a área pertencente à família de Pedro Vilarino é improdutiva e está abandonada. A ação dos trabalhadores Sem Terra é uma resposta à morosidade do Incra, que, segundo eles, há seis meses o órgão federal já deveria ter iniciado o processo de desapropriação da área para o assentamento das famílias.
 

MA



Em em São Luis do Maranhão, cerca de 300 trabalhadores rurais organizados pelo MST ocuparam, na manhã desta quarta-feira (30), a sede regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).


Os Sem Terra cobram desapropriações de novas áreas para a Reforma Agrária e melhores infraestrutura nos assentamentos, como estradas, escolas, energia e água. Outra pauta prioritária das famílias é a liberação de recursos para a continuidade de cursos do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera). No Maranhão, dois cursos de pedagogia estão praticamente parados, enquanto o curso de agronomia ainda não tem recurso para seu início.


BA

Desde a última terça-feira (29), cerca de 400 famílias do oeste, norte e nordeste da Bahia ocupam o Projeto de irrigação do Baixo de Irecê, no município de Xique-Xique, próximo a comunidade Boa Vista. A ocupação visa garantir que os pequenos agricultores e Sem Terra que residem ao redor do empreendimento tenham acesso à terra e a água, concentrados nos canais da empresa.


MG


Cerca de 700 trabalhadores rurais Sem Terra ocuparam na manhã desta quarta-feira (30) a sede do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), em Belo Horizonte. Os manifestantes reclamam do descaso do governo federal com a pauta da Reforma Agrária. 

 

Desde segunda-feira (28), cerca de 400 trabalhadores e trabalhadoras rurais do MST mantinham as praças de pedágio da rodovia Fernão Dias (BR 381), na altura do município de Santo Antônio do Amparo, abertas. Após 24h, os Sem Terra decidiram seguir para a capital mineira, onde cobrarão do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) os compromissos assumidos que garantiram o encerramento da manifestação.


PE


Cerca de 1500 Sem Terra já realizaram 10 ocupações de terras e Engenhos falidos em todo o estado de Pernambuco. Na manhã desta terça-feira (29), mais de 60 famílias ocuparam a Fazenda Paus Preto, em Floresta. Na segunda-feira (28), em Vitória de Santo Antão, 220 famílias ocuparam o Engenho São Francisco, uma área da Usina Serra Grande.


Além dessas áreas, também foi ocupado o Engenho Curupatí, da Usina Bulhões, em São Lourenço da Mata, o Engenho Moreno e uma antiga fábrica de roupas abandonada, em Moreno, o Engenho Cachoeira Cajóca, da Usina Nossa Senhora do Carmo, em Pombos, o Engenho Arranca e Almécega, na região Mata sul do estado, o Engenho Belo Horizonte, no município de Goiana e a Fazenda Papagaio, em Petrolândia.


Em Pernambuco, há acampamentos que existem há mais de 14 anos, sendo que nos últimos três anos não houve nenhuma desapropriação de terra. 

Na terça-feira do dia 15/04, o MST também realizou uma grande marcha pelas ruas de Recife, para relembrar o Massacre de Eldorado dos Carajás.


RS

Nesta terça-feira (28), no Rio Grande do Sul, cerca de 800 famílias do MST e do Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB) ocuparam cinco fazendas, enquanto mais de 2 mil trabalhadores e trabalhadoras do MST, Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf) ocuparam quatro agências da Caixa Econômica Federal.


Foram ocupadas fazendas nos seguinte municípios: Em Capão do Leão, a fazenda Galapéia, de 3 mil hectares, com 150 famílias; em Pelotas, a fazenda da Palma na Colônia Z3, de 2 mil hectares, com 150 famílias; em Catuípe, a fazenda da Família Cabral, com 863 hectares, por 80 famílias; em Cruz Alta uma área de 104 hectares que pertenceria à Varig, com cerca de 100 famílias e em Passo Fundo, uma fazenda do advogado Maurício Dal Agnol, foragido da Justiça brasileira, de 300 hectares, por 150 famílias do MST e MAB.


As ocupações das agências da Caixa Econômica Federal foram realizadas nos municípios de Pelotas, Três Passos, Santa Maria e Passo Fundo, nas regiões Centro, Sul, Norte e Noroeste.


Os trabalhadores Sem Terra exigem a liberação de recursos do Programa Minha Casa Minha Vida para o meio rural. Segundo os Sem Terra, somente a demanda de habitação dos assentamentos do MST no RS é de 1.300 projetos para a construção de novas casas.


Nesta segunda-feira (28), em Pelotas, cerca de 400 pessoas do MST, movimento sindical, moradores das vilas Correntes, Posto Branco, Turusul e Capão do Leão e o movimento estudantil de Pelotas e região ocuparam o prédio do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para discutirem o fim do pedágio no município com o término da concessão.


AL


Duas agências da Caixa Econômica Federal foram ocupadas pelos Sem Terra nesta terça-feira (29) em defesa do fortalecimento da política de habitação rural: as de Atalaia e de Piranhas. Na tarde desta terça, o Movimento também se reúne com o Governador Teotônio Vilela Filho, no Palácio República dos Palmares.


No dia 14/04, cerca de 800 trabalhadores do MST bloquearam o acesso ao canteiro de obras do Canal do Sertão de Alagoas, no município de Inhapi. No mesmo dia, também foi ocupado o Departamento de Estradas e Rodagens (DER-AL) e as prefeituras de Olho D’Água do Casado, Pão de Açúcar e Flexeiras.


Em Maceió, foi erguido um acampamento com cerca de 1000 Sem Terra no começo das mobilizações em Alagoas, onde realizaram uma série de negociações com o poder público sobre as pautas dos Sem Terra no estado.


PB


Os Sem Terra da Paraíba realizaram duas ocupações de terra na manhã desta terça-feira (29). Duzentas famílias ocuparam o perímetro irrigado das Vazias de Souza, no município de Souza. Trata-se de um projeto do governo do estado que estava para ser licitada. Outras 50 famílias ocuparam uma fazenda de 740 hectares na cidade de Olho D´Agua. 


PR


Cerca de 600 militantes do MST ocuparam, nesta terça-feira (29), a Superintendência Regional da Caixa Econômica Federal, no centro de Curitiba. Os Sem Terra cobraram do governo federal a liberação de recursos para a construção de 1.456 casas nos novos assentamentos, e a reforma de outras 16.963 casas nos assentamentos mais antigos do Paraná. Pela manhã, os trabalhadores rurais participaram de um ato em apoio a greve dos professores e funcionários da rede estadual de ensino público.  

SC


Nesta terça-feira (29), cerca de 800 militantes da Via Campesina marcharam rumo à Caixa Econômica Federal, no município de Chapecó (SC). Os manifestantes pedem ao governo federal maior agilidade e atualização do Programa Nacional de Habitação Rural (PNHR). 


No último dia 9/04, os Sem Terra de Santa Catarina se juntaram à marcha das centrais sindicais, em Florianópolis, e se somaram aos cerca de 2000 trabalhadores em luta na capital catarinense. A mobilização fez parte da 5ª marcha dos catarinenses. Ao chegarem no poder Judiciário, os manifestantes realizaram uma mística deixando diversas cruzes para simbolizar o Massacre de Eldorado dos Carajás.


SE


Cerca de 200 trabalhadores e trabalhadoras assentadas da região se mobilizaram no município de Tobias Barreto, nesta segunda-feira, ao cobrarem dos bancos maior agilidade na liberação dos projetos de investimento. 


Segundo os Sem Terra, são centenas de projetos já elaborados pela assistência técnica, mas travados por causa da burocracia das instituições, principalmente do Banco do Nordeste.


No domingo (27), cerca de 90 famílias do MST ocuparam a Fazenda São Raimundo, no Povoado Rio Fundo do Abais. 

 

DF


No dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária (17 de abril), cerca de 500 trabalhadores e trabalhadoras do MST do Distrito Federal e Entorno bloquearam trechos das rodovias BR 020 (Belém-Brasília), entre os municípios Planaltina (DF) e Formosa (GO), na altura do quilômetro 43, e a BR 070, sentido Aguas Lindas de Goiás.


PA


Entre os dias 10 a 17 de abril, os jovens do MST realizaram o Acampamento Pedagógico da Juventude Camponesa “Oziel Alves Pereira”, na curva do “S”, em Eldorado dos Carajás (PA). O evento incluiu uma série de atividades culturais, como filmes, oficinas de dança, agitação e propaganda, teatro e percussão. Todas as tardes, exatamente às 17h, horário do genocídio contra os trabalhadores rurais Sem Terra, era realizado um ato na BR 155, palco do massacre.