Por Márcio Zonta
Da Página do MST

 

No próximo domingo (27), a popular Feira da Folha 28, da nova Marabá (PA), contará com um atrativo.


Estarão montadas, a partir das 8h da manhã, barracas com vendas de produtos agroecológicos e troca de sementes tradicionais.


O evento ainda conta com uma programação cultural, tendo a presença do cantador marabaense Clauber Martins, além da venda de livros com o enfoque à produção agroecológica.


Outro destaque é a denúncia do uso desenfreado de agrotóxicos na agricultura do país. Especialistas no assunto estarão na feira para debater a questão.


Para a coordenadora do Instituto de Agroecologia Latino Americano Amazônico (IALA), Ayala Ferreira, coorganizadora da feira, a característica central da agroecologia é o cuidado com o meio ambiente e com as pessoas.


“A produção agroecológica de alimentos predispõe um cuidado com a natureza, com os seres humanos e leva em consideração a diversificação cultural camponesa ao trabalhar na terra”.


Jornada Universitária

A atividade faz parte da 1º Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária.  O professor de agronomia da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESSPA), Fernando Michelotti, um dos organizadores do evento, cita a importância de levantar o debate da concentração de terras na sociedade.


“Todos os anos já realizávamos a semana camponesa na universidade para trazer a memória do conflito agrário no Pará. Esse ano, aproveitando a campanha nacional das universidades, vamos fazer essa feira que traduz para sociedade o que significa a conquista pela terra, cujos assentamentos apontam para um outro modelo de agricultura mais benéfico a população”, expõe.


Todos os alimentos vendidos nas tendas serão provenientes dos assentamentos e acampamentos organizados pelo MST, localizados no sudeste paraense.


Baixa na produção de alimentos

O Valor Bruto da Produção (VBP) das lavouras deve cair 17% no Pará no ano de 2014 em comparação a 2013.


A soma final deve chegar a R$ 6,3 bilhões, mais de um bilhão a menos do que a quantia atingida no final do ano passado (R$ 7,6 bilhões).


O estudo é realizado mensalmente, tendo como base os levantamentos da safra feitos periodicamente pela Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).


Os responsáveis pela baixa na produção de alimentos no Pará são revelados pela própria pesquisa. O maior VBP do Estado ficará esse ano com a produção bovina, seguida da produção de soja.


Com uma população de aproximadamente 7,5 milhões de pessoas o estado nortista já conta com mais cabeças de gado do que população, mais de 8 milhões.


Já a soja vai se expandir ainda mais pelas terras agricultáveis da região. Com a inauguração da hidrovia do rio Tocantins, o Pará exportará mais de 500 mil carretas de soja por ano.


O agrônomo Raimundo Gomes, coordenador do Centro de Pesquisa, Educação Popular e Sindical (CEPASP), condena o modelo de agricultura homogeneizado pelas grandes empresas do agronegócio no Pará.


“A utilização das áreas para transporte e logística da soja desestrutura áreas indígenas e a agricultura camponesa, além de ser altamente poluente para o solo, água e toda biodiversidade amazônica por contra do uso excessivo de agrotóxicos”, conclui.