Da Página do MST


Nesta quinta-feira (24), será realizado em São Paulo o "Grande Ato da Resistência Guarani SP: Demarcação Já", no vão do MASP, a partir das 17h.


Desde o último dia 16 de abril, os indígenas realizam lutas na cidade pela demarcação das terras que ocupam tradicionalmente no município de São Paulo. Também foi lançada uma petição reivindicando as demarcações, que já conta com milhares de assinaturas.


Na semana passada, um dos líderes da comunidade que fica no Jaraguá, David Karaí Popyguá, disse que os indígenas  reivindicavam “a demarcação e reconhecimento do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a última instância que falta para demarcação do nosso território que já foi reconhecido pela Funai [Fundação Nacional do Índio] como área de ocupação tradicional guarani”.


A Terra Indígena Tekoa Pyau tem atualmente 1,7 hectare (1 hectare é uma área equivalente à de um campo de futebol) e 800 habitantes. No entanto, segundo os guaranis, a Funai já reconheceu um território de 532 hectares para a comunidade.


A maior parte da área é, de acordo com Popyguá, destinada à preservação ambiental. No entanto, já existe pressão para que o uso das terras seja modificado. Os indígenas denunciam que a especulação imobiliária quer transformar parte da terra em área de desenvolvimento urbano.


Em Parelheiros, extremo sul da cidade, onde vivem cerca de 1,3 mil guaranis, a Funai reconheceu a Terra Indígena Tenondé Porã, com 15,6 mil hectares.


Confira abaixo o chamamento dos indígenas:

 

Nós, indígenas Guarani da cidade de São Paulo, chamamos a todos e todas para o Grande Ato da Resistência Guarani SP: Demarcação Já!, que acontecerá no dia 24 de abril a partir das 17:00, no MASP da Avenida Paulista.


Conheça a campanha no site da Comissão Guarani Yvyrupa:
http://campanhaguaranisp.yvyrupa.org.br/


Somos mais de 2.000 Guaranis na capital paulista, e lutamos pela efetivação da demarcação de nossas terras e reconhecimento de sua real extensão.


Desde 1980, quando foram reconhecidos os primeiros territórios tradicionais guaranis na cidade, buscamos corrigir a demarcação das áreas de ocupação e uso da terra pelo nosso povo.


Entre 2012 e 2013, a FUNAI aprovou relatórios que atestam o real limite dos nossos territórios. Apesar disso, ainda não tivemos nossos direitos garantidos, porque os processos de demarcação das TI’s Tenondé Porã e Jaraguá encontram-se barrados na mesa do Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Agora só depende de sua assinatura.


A terra foi feita pelas divindades para todos os povos. Não é nossa, e não é dos brancos. Mas a verdade é que os brancos hoje se dizem donos de todos os lugares onde vivíamos no passado, e para nós não sobrou quase nada, e por isso hoje sofremos.


Contamos com todos e todas, parentes e juruás, para engrossar nossa luta no dia 24 e brigar junto conosco pela efetivação de nossos direitos, dos direitos dos povos indígenas, e contra esse processo histórico de expropriação e massacre pelo qual estamos passando.

Aguyjevete!