Por Frederico Fermiano
Da Página do MST

Foto: Marcio Reinaldo


“Esse é o nosso país/Essa é a nossa bandeira/É por amor a essa pátria, Brasil/Que a gente segue em fileira”. 


Com esse verso, Pereira da Viola e Dito Rodrigues abriram, nesta sexta-feira (18), a saudação que fizeram às 450 famílias de trabalhadores rurais Sem Terra que vivem no acampamento Alexandra Kollontai, em Serrana (SP). 


Os irmãos manifestaram seu apoio a luta das famílias, reiterando seu compromisso com o MST, ao cantarem e dançarem com os Sem Terra. 


“Nós apoiamos esta luta, que é justa, que é bonita, que é do povo contra as injustiças desse agronegócio”, disse Pereira durante sua acalorada apresentação. 


“A vinda do ‘cumpadi’ [Pereira da Viola] no acampamento marca uma data que para nós é de luta e de construção de uma cultura de luta, de uma cultura comprometida com as necessidades da classe trabalhadora e com as transformações sociais”, disse Guê Oliveira. 


As famílias relembraram o massacre de Eldorado dos Carajás, ocorrido há 18 anos, no dia 17 de abril, quando 21 Sem Terra foram assassinados pela Polícia Militar do estado do Pará. E exaltaram o Dia Internacional da Luta Camponesa com música e palavras de ordem.


A comemoração terminou com o já tradicional “Cine Alexandra”, atividade de cinema que ocorre semanalmente no acampamento. Desta vez, com vídeos produzidos pelo Coletivo de Mídia Independente Antimatéria e Fuligem sobre as lutas do MST e das famílias acampadas, que seguem organizadas. 


Histórico 


Os Sem Terra lutam há quase 6 anos pela adjudicação da fazenda Martinópolis, que possui uma dívida de R$ 300 milhões junto ao governo do estado de São Paulo, em ICMS. 


No início do mês, as famílias foram despejados da área que ocupavam há pouco mais de sete meses. Apesar disso, o governo estadual já se manifestou em favor da adjudicação e até o final do mês de maio a área deve ser periciada, segundo determinação da Justiça. 


As famílias lutam agora para que o executivo estadual dê passos concretos no sentido da arrecadação da área e de sua necessária destinação para fins de reforma agrária. 


“Nós seguimos em mobilização permanente, porque não temos dúvidas de que esta terra é nossa, dos trabalhadores rurais Sem Terra, e faremos as lutas que forem necessárias para a concretização de nossa conquista”, disse Guê Oliveira, dirigente estadual do MST.