Da Página do MST


As famílias assentamento Denis Gonçalves, em Juiz de Fora (MG), se reuniram neste sábado (19) em torno de uma grande fogueira para conhecer as histórias da terra recém-conquistada na Zona da Mata mineira.


Servidos de canjiquinha, quentão e canjicão, os colonos da antiga Fazenda Fortaleza de Sant´Anna, Juquinha e Zé Arides, narraram o episódio em que Getúlio Vargas visitou o local e anunciou a queima do café, durante a crise de 1929. 

Segundo eles, Getúlio chegou a exigir a exumação do corpo de uma moça, obrigando o algoz, Antônio Empreiteiro, a carregar nas mãos o crânio de sua vítima. 


Enquanto Juquinha teima que não foi o tal “Empreiteiro”, Zé Arides reafirma o culpado. Entre as discordâncias de histórias se desenham os contos na memória dos novos moradores.


Na Fazenda Sant´Anna, o passado pulsa nas floresta centenárias e nas ruínas que denunciam a abundância e o sangue dos trabalhadores que edificaram o auge do café no Brasil. 


As terras foram sesmaria, pertenceram a Mariano Procópio, um dos fundadores de Juiz de Fora. Atualemente, porém, trata-se de um território liberto pelos Sem Terra, onde cerca de 120 famílias já produzem e escrevem a própria história.


A Fazenda

As famílias do acampamento Dênis Gonçalves conquistaram definitivamente a terra em agosto de 2013, após resistiram por mais de dois anos acampadas na beira da MG 353.


Com seus 4.683 hectares de terra, será o maior assentamento da Zona da Mata. A fazenda possui riquezas históricas e naturais como uma caverna onde foram encontrados três corpos indígenas mumificados, uma vasta reserva de mata atlântica intocada e grandes estruturas do período auge do café.


Conquistada a área, os Sem Terra buscam agora aliar a agroindustrialização ao desenvolvimento do ecoturismo, a partir de projetos produtivos e culturais, que garantam ao mesmo tempo a preservação e o uso dos patrimônios.