Por Iris Pacheco
Da Página do MST

 

Nesta quinta-feira (10), a juventude de diversos movimentos sociais e da jornada nacional de lutas da juventude participou de uma audiência com a presidenta Dilma Rousseff.


Dentre os pontos discutidos, os jovens retomaram a defesa de um plebiscito popular pela reforma política, cobraram a falta de visibilidade dos jovens do campo, a não realização da Reforma Agrária, o fechamento de escolas e a ausência de políticas de mobilidade.


Segundo Raul Amorim, da coordenação nacional do coletivo de juventude do MST, “a juventude camponesa é um sujeito invisibilizado pelo governo. Além de não existir política específica que atenda suas demandas, promove ações que recua os avanços já alcançados, como o fechamento das escolas”.


Segundo ele, a presidenta citou o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) como proposta de formação educativa para o campo.


No entanto, Raul defendeu que “a formação profissional da juventude camponesa não é a mesma do agronegócio, temos outro modelo de desenvolvimento para o campo”.

 

Reforma Política

O plebiscito pela reforma política, tema que se destacou nas manifestações de junho do ano passado, foi ressaltado pela presidenta.


Segundo relatos de participantes da reunião, Dilma afirmou que “o momento eleitoral é de discutir a reforma política e é preciso que os movimentos sociais pautem essa reforma”.


Porém, a presidenta alegou não existir unidade entre sua base aliada para aprovar o tema sem participação popular. E que a luta não se foca apenas nos parlamentos, precisa fundamentalmente da mobilização das ruas.


Durante a reunião, Raul lembrou que “as ruas pediram participação política real e explicitou falência do sistema político expressamente criticado pela mídia, o mesmo sistema político que hoje tramita no Congresso a Lei de Terrorismo (PLS 499/2013) que aguarda votação no Senado e criminaliza movimentos sociais.”


Marco Civil da Internet

O Marco Civil da Internet, que está para ser votado no Senado, foi ressaltado durante a audiência. A presidenta destacou a importância de sua aprovação e a importância da neutralidade de rede.


Para Raul, o projeto trará significativos avanços na garantia da liberdade de expressão, privacidade e principalmente a neutralidade de rede. “Isso é uma questão de democracia da internet e da comunicação, que é um direito humano e não deve ser setorizado por quem pode ou não pagar para acessar determinado conteúdo.


O Sem Terra afirma que "é preciso garantir um sistema de comunicação que represente a pluralidade da sociedade e deve estar vinculado a uma luta maior, que é a democratização da comunicação”.


Sobre as iniciativas populares na comunicação “infelizmente vão parar no ministério da justiça, como é o caso das rádios. Cobramos um fortalecimento da comunicação alternativa, das redes e dos pontos de cultura”, afirmou Raul.


Na ocasião, Dilma ainda se comprometeu a não enviar para o Congresso Nacional projetos de lei que aumentem a repressão e o controle sobre as manifestações juvenis e de movimentos sociais.