Da Página do MST

Investigar a atuação dos grandes grupos econômicos durante o regime ditatorial brasileiro e suas continuidades até o presente. Este é o objetivo central do Coletivo Mais Verdade, que realizou ontem (27/03) no Salão Nobre do IFCS uma cerimônia de lançamento em que apresentou seus objetivos e linhas de pesquisa.

Formado por diversos pesquisadores/as ligados a universidades e organização sociais, o Coletivo Mais Verdade pretende estabelecer um detalhado banco de dados, cruzando informações sobre empresas, organizações sem fins de lucro, órgãos e agentes públicos a partir de 1964. O ponto de partida do trabalho é a obra de René Dreifuss “1964, a conquista do Estado.”

A atividade de lançamento foi coordenada por Luiz Mario Behnken, do Instituto Mais Democracia, Renato Lemos (UFRJ) e Vírgínia Fontes (Fiocruz). Estiveram presentes diversas organizações que demonstraram interesse na proposta e se dispuseram a contribuir com que o fosse necessário.

Dentre elas, o Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro, o Comitê Popular da Copa, os DCEs da UFRJ e da Unirio, o Grupo Tortura Nunca Mais, o PACS (Políticas Alternativas para o cone sul), a Comissão Estadual da Verdade, a secretaria de direitos humanos da OAB, sindicato dos petroleiros, entre outras. Também a Comissão da Verdade do ANDES-SN enviou saudação reconhecendo a importância da pesquisa.

Marcelo Durão, militante do MST no Rio Janeiro, ressaltou o estrago feito pela ditadura na organização dos camponeses, e a coincidência do período da ditadura com a chegada da revolução verde no Brasil. Neste período, vieram as empresas de adubos, venenos e sementes, que se beneficiaram da politica de créditos agrícola.

Durão finalizou com um apelo: “Que este não seja apenas mais um fórum de debates, mas que possibilite ações concretas para acabar com os resquícios da ditadura, como a polícia militar.”

Dentre as diversas linhas de pesquisa do coletivo, encontram-se o papel do BNDES no financiamento de determinados grupos econômicos, o complexo industrial-militar, o caso Globo, o caso das empresas de energia como a Light, além das relações entre os EUA e a ditadura, especialmente dos empresários e entidades privadas transnacionais.

A próxima atividade do coletivo será no dia 20 de maio, na UERJ, para discutir a relação entre a ditadura e as empreiteiras, que a exemplo de Odebrecht, Camargo Correa e Andrade Gutierrez, se tornaram mega conglomerados que atuam internacionalmente, explorando trabalhadores e riquezas naturais na América Latina e na África.

Será debatida a tese do professor Pedro Campo, da UFRRJ, e as pesquisas recentes do Instituto Mais Democracia em relação às empreiteiras hoje, representada aqui pelo professor João Roberto Lopes Pinto, da Unirio.