Por José Coutinho Júnior
Da Página do MST

“O metrô ele roubou, educação sucateou, o Geraldo é só caô, ô ô ô ô ô...”. Assim gritavam 300 militantes de movimentos estudantis e de juventude, que realizaram nesta quarta-feira (26/03) em São Paulo uma marcha pela reforma do sistema político e contra a administração do governador Geraldo Alckmin. A marcha faz parte da Jornada Nacional de Lutas da Juventude Brasileira

 

Participaram da mobilização militantes do Levante Popular da Juventude, União Nacional dos Estudantes (UNE), Coletivo Juntos!, União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE), UJS, UBS, UPES e MST.

A marcha saiu do MASP e foi até a Assembleia Legislativa de São Paulo, onde os manifestantes pressionaram os parlamentares para assinarem o requerimento de instauração de CPI que investigue o esquema de corrupção dos trens e metrôs, no qual o atual governo está envolvido.

O propinoduto, como é chamado, é um esquema que fraudou licitações para aquisição e reformas de trens, construção e extensão de linhas metroferroviárias no Estado de São Paulo. Houve cartel de empresas, entre as quais as multinacionais Alstom e Siemens. Os prejuízos ao patrimônio público ultrapassam R$ 2 bilhões.

Faltam quatro assinaturas para que a CPI seja aprovada. Além disso, foi estendida uma faixa exigindo que se crie uma constituinte para reformar o sistema político.

Ao passar pelo quartel do II exército, onde muitas pessoas foram torturadas e mortas na Ditadura, os jovens vaiaram a instituição e gritaram nomes de militantes mortos pela repressão no período.

A articulação da marcha surgiu após as mobilizações de junho do ano passado. Segundo Pedro Henrique, do Levante Popular da Juventude, “a juventude precisa estar na rua para lutar por seus direitos. Também precisamos denunciar o governo Alckmin, envolvido no esquema de corrupção do metrô, além de ser um governo que não representa os interesses do povo e da junvetude”.

No entanto, Pedro afirma que apenas denunciar o governo não altera essa situação. “O principal é lutarmos por uma constituinte, pois é só alterando esse sistema que a política brasileira pode mudar e abrir espaço para a juventude ser representada”.

Uma das exigências dos manifestantes é a desmilitarização da PM, responsável por reprimir violentamente protestos e criminalizar  a população periférica e do campo.

Segundo Gerson de Souza, coordenador do coletivo de juventude do MST, “a administração do PSDB está no governo de São Paulo há 20 anos, e nesse período a questão agrária sempre foi tratada como caso de polícia. Os conflitos agrários não passam por uma secretaria agrária, e sim pela secretaria de justiça”.

Em São Paulo, há muitas famílias que estão acampadas há mais de 10 anos sem ainda obter seu pedaço de terra. “Para alterar essa política em relação às lutas no campo e pela desmilitarização da PM, nos somamos à luta contra este governo”, afirma Gerson.

Educação e transporte

A presença de muitos movimentos estudantis pautou uma educação pública, de melhor qualidade, a qual os jovens mais probres tenham acesso.

Matheus Weber, da UNE, afirma que “90% dos jovens universitários estão na universidade privada, pois não tem acesso à universidade pública, e muitos destes não se formam, pois não tem condições financeiras de terminar o curso. Não existe uma política de inclusão dos jovens pobres nas universidades públicas, a USP por exemplo, não dialoga com a periferia”.

A luta por um transporte público gratuito e de qualidade é também fundamental para a juventude, pois diminuiria seu custo de despesas diárias, facilitando a permanência dos estudantes na universidade.

Para lutar por essas demandas, é fundamental a união dos movimentos da juventude e de jornadas de lutas unificadas. “Precisamos unir o campo e a cidade, os movimentos estudantis, sociais e das mais diversas origens contra o que afeta a todos nós: um governo com políticas que não representam os interesses do povo”, diz Pedro Henrique.