Por Maria Aparecida
Da Página do MST


Entre os dias 11 à 15 de março, na província de Córdoba, Argentina, acontece a quarta edição do Seminário Latino Americano de Formação Política.

A atividade, que tem como lema “Nuestra America hoy: el desafio de los pueblos”, é organizada de maneira conjunta pela Escola Nacional Florestan Fernandes, do Brasil, pela Universidade Nacional de Córdoba e Universidade Nacional de Rio Cuarto, ambas na Argentina, e pela Universidade da República do Uruguai.

Segundo a organização do evento, em material distribuído no credenciamento, “o seminário é um espaço de formação e articulação de e para as organizações sociais, territoriais, estudantis e de trabalhadores do campo popular de nosso continente, junto às universidades públicas da Argentina e Uruguai”.

Desde sua primeira edição, o seminário se realiza em forma de rodízio nos países que o organizam. A principal proposta é analisar a conjuntura regional e mundial em momentos de crise internacional, bem como avançar para o reconhecimento do papel que os diversos países da América Latina têm frente ao desafio da integração entre os povos no enfrentamento à dependência econômica e política a que são submetidos historicamente.

Para John Muller, rapper e militante do Setor de Comunicação do MST em São Paulo, “o seminário é interessante principalmente pelas experiências que as pessoas compartilham dos seus países de origem. Conseguimos compreender muito da conjuntura política destes países a partir do relato e da visão dos militantes que participam”.

Refletindo sobre a vivência no espaço de estudo do seminário, Juliana Cristina, do Coletivo de Juventude do Paraná, afirma que a experiência proporciona uma melhor compreensão sobre a tarefa do internacionalismo defendida e realizada pelo MST.

“É muito importante entender em que situação estão os países da América Latina, quais são os desafios conjuntos e o que unifica as especificidades. Temos um inimigo que é comum e cada local tem uma potencialidade para colocar em jogo”.

Toda a atividade está centrada em dois principais blocos de discussão, um sobre “Economia Política, Geopolítica e o papel do Estado na América Latina” e o outro sobre “Jovens, Direitos Humanos e política”.

Para avançar nas discussões e aproveitar ao máximo o tempo, a atividade está organizada em momentos de exposição em painéis, mesas de trabalho e discussões em grupos.

As atividades acontecem até o próximo sábado (15/03). Nesse dia o seminário se desloca para o antigo Centro Clandestino de Detenção, Tortura e Extermínio, que funcionou com maior intensidade entre os anos de 1976 e 1978.

Nesse período, época da ditadura civil-militar argentina, o local foi responsável pelo desaparecimento de cerca de 2500 pessoas dentre as mais de 40 mil desaparecidas ao longo de toda a ditadura.

Hoje, o centro foi convertido em um museu para a preservação da memória dos presos e torturados políticos, o Espaço para a Memória “La Perla”. Os participantes farão relatos e vivenciarão os processos por quais passam a juventude nos países latinos.

No domingo, numa programação extraoficial, os participantes visitam o Museu Che Guevara em Alta Gracia e confraternizam com uma típica comida argentina, o choripan.

Participam cerca de 27 organizações da Argentina, Uruguai, Haiti, Cuba, Bolívia e Brasil. O MST, a Comissão Pastoral da Terra (CPT), a Pastoral da Juventude Rural (PJR), a Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP), Levante Popular da Juventude, a Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil (FEAB), o Sindicato de Ciência e Tecnologia e o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) estão presentes.