Da Página do MST

A data de 08 de março se constitui num marco importante na história da luta das mulheres por melhores condições de vida. Antes de sua consolidação como Dia Internacional da Mulher, muita luta por conquista e efetivação de direitos para as mulheres foram sendo travadas nas mais diferentes esferas, estados e países.

Sabe-se que muito se avançou nos direitos das mulheres. No entanto, as mulheres organizadas em movimentos sociais no Brasil afirmam que muitos direitos conquistados precisam ser efetivados, garantidos e ampliados para que se viva numa sociedade igualitária em direitos e condições, conforme o previsto na Constituição Federal.

Devido a essas motivações, no 8 de março de 2014, mais de 3 mil mulheres do campo e da cidade realizaram a Jornada Nacional de Lutas e foram às ruas manifestar suas proposições, ideias e pautas, orientadas a partir do tema “As mulheres do campo e da cidade querem o combate e o fim da violência praticada contra as mulheres; creches no campo e na cidade; Programa de Promoção, Valorização e Sustentabilidade da Agricultura Camponesa - Programa Camponês; reforma agrária popular e Plebiscito Popular para mudar o Sistema Politico”.
   
A Jornada de Luta das Mulheres do Campo e da Cidade congrega diversas ações que envolvem acampamentos, debates feministas (combate a violência, programa camponês, plebiscito popular), feiras e marchas com temas construídos pelas mulheres para esta jornada.

Durante toda a semana ocorreram atividades nos municípios de Frederico Westphalen, Cruz Alta, Santa Cruz, Pelotas, Palmeira das Missões, Porto Alegre, Canoas, Cachoeira do Sul e Santa Maria. As ações acontecem até o próximo sábado (15).

Dentre os movimentos que coordenam esta jornada, está presente a Via Campesina, Levante Popular da Juventude, Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD), MST e Marcha Mundial de Mulheres (MMM).

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Ações

Nesta quinta-feira (13), em Santa Cruz do Sul, cerca de 400 mulheres realizam uma formação sobre os diversos tipos de violência sofrido pelas mulheres no pavilhão da Oktoberfest. À tarde, as mulheres seguirão em marcha até a praça central da cidade, onde realizarão uma Feira da Agricultura Camponesa, com produtos oriundos da agricultura familiar.

No dia 12, em Porto Alegre, cerca de 300 mulheres do campo e da cidade marcharam até o Ministério Público, onde protocolaram o documento “Carta das mulheres aos operadores do direito”, em que exigiam mais empenho na aplicação da Lei Maria da Penha e proteção às mulheres vítimas de violência.

No local, foram cravadas cruzes e pintados corpos no asfalto, em alusão às mulheres vitimadas pela violência no país. As mulheres entregaram panfletos em diálogo com a população que observava o ato.

À tarde, a marcha retornou ao Parque Harmonia, onde foi realizada uma série de debates a respeito dos temas de luta das mulheres: a questão da violência, o plano camponês, a reforma agrária popular, o direito à creche, o Plebiscito pela Reforma Política e a mercantilização do corpo feminino.

Logo depois, as mulheres seguiram até a Prefeitura do município, onde lançaram a campanha nacional por creches.

Nesse mesmo dia, as mulheres camponesas que produzem agroecologicamente receberam homenagem na Assembleia Legislativa, pela Deputada Estadual Marisa Formolo. Seis mulheres foram homenageadas por sua atuação na defesa dos direitos das mulheres do campo, das aldeias e da cidade.
                         
Paralelamente, em Cachoeira do Sul, 350 mulheres estiveram reunidas para debater os eixos da Jornada.

No dia 11, 500 mulheres fizeram uma manifestação em Frederico Westphalen. A programação envolveu marcha pela cidade, com entrega de documento no Fórum, momentos de estudo sobre o tema da violência e feira de produção de alimentos.
           
Enquanto isso, outras 50 mulheres camponesas realizaram estudo sobre o tema da violência doméstica, em Cruz Alta.



No dia 10, em Três Cachoeiras, cerca de 100 mulheres realizaram uma feira embaixo do viaduto da cidade e, à tarde, houve um ato político com falas do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC) e de representação de entidades municipais sobre o tema da violência.

Na sequência, as mulheres foram até a delegacia local cobrar e entender como são feitos encaminhamentos a respeito de casos de violência cometida contra as mulheres.

Ainda nesse dia, em Canoas, foi realizada uma marcha com 500 mulheres nas principais ruas da cidade em direção à Prefeitura. Durante o trajeto, foram relembradas as conquistas femininas das últimas décadas e reivindicavam por maior autonomia e liberdade às mulheres.

No dia 8, as mulheres do Levante Popular da Juventude, juntamente com o coletivo feminista Marias de Luta realizaram um ato de rua em Erechim,, que contemplou uma marcha na avenida principal da Cidade.

Seguiram com o cortejo da bateria feminista e através de faixas, gritos de ordem e canções pautaram o fim de todo o tipo de agressão praticado contra as mulheres, contra a ditadura da beleza, pelos direitos trabalhistas, por creches dentro das Universidades e contra toda a forma de opressão ditada pela sociedade machista e patriarcal.

Em Tapes, foi realizado um seminário das mulheres do MST sobre os eixos da Jornada no dia 3.

Durante todo o mês de março, em Santa Maria, ocorrem diversas ações que incluem debates, rodas de conversa, marchas e grafitagem com apoio da Universidade Federal de Santa Maria.