Por Adriana Rodrigues Novais
Da Página do MST


Neste sábado (8), o Coletivo de Mulheres do MST de Ribeirão Preto (SP) realizou um seminário para discutir a violência contra a mulher.

O encontro aconteceu no Acampamento Alexandra Kollontai, que há seis meses ocupa a fazenda Martinópolis, no município de Serrana, e reuniu cerca de 300 trabalhadoras rurais Sem Terra e companheiras e aliadas do MST.

A atividade, que fez parte da Jornada de Lutas das Mulheres Sem Terra - que ocorre todo mês de março -, começou com uma mística realizada pelas camponesas, cujo tema central foi violência contra as mulheres.

Após este momento festivo, com poesia e música, que também contou com a participação dos homens, as mulheres se reuniram em grupos para o estudo sobre as questões de gênero.

Violência contra a mulher

Um dos temas da discussão foi a Campanha Mundial pelo fim da Violência Contra as Mulheres, organizada pela Via Campesina desde 2008. De acordo com dados da Via Campesina, pelo menos uma em cada três mulheres ao redor do mundo sofre algum tipo de violência durante a sua vida, sendo que, a violência doméstica, é a principal causa de morte e deficiência entre mulheres de 16 e 44 anos de idade, matando mais que doenças como o câncer e acidentes de trânsito.

Além disso, cerca de 70% das vítimas de assassinato do sexo feminino foram mortas por seus maridos e companheiros. A questão é ainda mais preocupante quando consideramos que nem todas as mulheres denunciam as violências que sofrem ao longo de sua vida.

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Neste sentido, as companheiras demonstraram a importância da luta travada pelo MST contra a dominação e a violência de gênero entre trabalhadores e trabalhadoras, com intuito de criar novas formas de sociabilidade, por meio do enfrentamento das relações constituídas na sociedade patriarcal do capitalismo.

“A participação das mulheres na luta contra o agronegócio, consequentemente levou a divisão das tarefas domésticas que antes eram realizadas somente por nós. Agora, meu marido tem que lavar, cozinhar, passar, cuidar das crianças para nós também fazermos luta”, disse Maria Índia, acampada há 3 anos no Alexandra Kollontai.

Durante a discussão, também foi apontado que a superação das relações de hierarquia de gênero só serão superadas na luta contra a sociedade capitalista, que funcionaliza a dominação masculina como parte de sua perpetuação.

Desse modo, as mulheres ainda destacaram a busca do Movimento, em seus acampamentos e assentamentos, em superar o histórico alijamento das mulheres das atividades políticas, garantindo a paridade de gênero em todas as suas instâncias organizativas e nas tarefas do cotidiano da vida e da luta.

A atividade se encerrou com o compromisso das trabalhadoras em seguir na luta contra a violência, o patriarcado e o agronegócio, com a palavra de ordem: “ Por vida, soberania alimentar, basta de violência contra as mulheres!”