Por Zé Luís Costa
Da Página do MST



Cerca de 150 famílias do distrito do Piquiá de Baixo (MA) ocuparam nesta quinta-feira (6) a entrada de duas das quatro siderúrgicas da cidade de Açailândia, e trancarem por meia hora a BR-222, que liga a cidade à capital.

Ao longo da ação, os moradores receberam o apoio e a solidariedade de assentamentos ligados ao MST e ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Açailândia, da rede Justiça nos Trilhos e do Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos (CDVDH).

As famílias, atingidas pela poluição das siderúrgicas, cobram dessas empresas o pagamento da indenização para a construção de um novo bairro onde serão reassentadas. 

Após inúmeras lutas, os moradores de Piquiá conquistaram na justiça, em dezembro do ano passado, o reassentamento da comunidade em outra localidade que não fosse afetado pelas atividades dessas empresas. Mas, segundo os moradores, as siderurgias parecem não querer cumprir.

Diante disso, as famílias exigiam uma reunião com o representante do Sindicato das Indústrias de Ferro Gusa do Estado do Maranhão (Sifema), Cláudio Azevedo, para tratar da situação.

Após horas de protestos, os moradores se reuniram na procuradoria do município com Claudio Azevedo, um procurador do município e um coletivo de representantes da Associação de Moradores do Piquiá de Baixo. Da reunião, Cláudio Azevedo pediu mais 30 dias para acertarem tudo.
 
Histórico


O distrito do Piquiá existe há mais de 45 anos. A comunidade fica às margens da BR-222, que liga a capital maranhense às cidades do Sudeste e Sul do estado.

Piquiá de Baixo leva este nome porque todo o distrito está sobre uma terra com declives, e a parte que se refere fica de baixo destes declives.

Com a chegada de indústrias de ferro gusa nas redondezas, as famílias que imaginavam que seriam beneficiadas foram prejudicadas no decorrer da história.

Atualmente, esse complexo conta com quatro beneficiadoras de ferro: Viena Siderúrgica S/A, Queiroz Galvão Siderurgia, Gusa Nordeste S/A e Ferro Gusa do Maranhão Ltda (Fergumar).

Nessa relação criada que já perdura mais de 20 anos, sobrou para o povo da comunidade. Dos impactos causados e que deixou o lugar impróprio para se viver, tem-se a Estrada de Ferro Carajás, da multinacional Vale S/N, que corta o bairro ao meio, a poluição sonora do trem que passa a todo momento, junto à poluição do ar deixou.

É aqui onde entra a luta dessa comunidade reivindicando melhores condições de moradia. A luta chegou ao ponto de ser conhecida internacionalmente, por conta das articulações da Associação de Moradores do Piquiá de Baixo com a ordem religiosa dos Missionarios Combonianos, que se articulou em parcerias com Federação Internacional de Direitos Humanos, com uma ONGs, o Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos (CDVDH), com o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Açailândia e o MST.