Por Ramiro Olivier
Da Página do MST


Ao longo de toda a semana, 150 professores e professoras das escolas do campo de Assentamentos e Acampamentos do MST, em Pernambuco realizaram um curso de formação de Educadores e Coordenadores de Educação de Jovens e Adultos (EJA).

A atividade, que termina nesta quinta-feira (27), foi realizada no Centro de Formação Paulo Freire, no Assentamento Normandia, em Caruaru, e contou com o apoio da Secretaria Estadual de Educação.

Ao todo, mais de 5 mil jovens e adultos divididos em 160 turmas participam do EJA no estado.

Segundo os educandos, apenas esses dados já demonstram a importância da qualificação de profissionais da Educação, principalmente a educação do campo, já que dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2008 mostram que 23,3% da população rural eram formadas por analfabetos, contra 7,6% da população urbana.

Nesse sentido, a formação dos educadores do campo contou com dois eixos temáticos: Metodologia da Alfabetização e a Relação da Escola e o Trabalho.

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Para Nalva Araujo, professora da Universidade Estadual da Bahia (Uneb), o modelo de escola do Brasil não discute o trabalho como produtor da existência humana, “e fazer esse debate com os professores que estão no cotidiano das escolas juntamente com os educandos é fundamental”.

Segundo ela, essa discussão perpassa por discussões “das condições objetivas e materiais da vida dos estudantes, pois vivemos numa sociedade capitalista, fazendo com que os professores e educandos possam debater as contradições do modelo de sociedade que vivemos e as contradições também do processo educativo, ou seja o trabalho como uma dimensão formativa”, acredita.


Qualificação do ensino

Eneudes Ferreira, coordenadora das turmas da região Araripe, pontua que essa formação “tem muita importância para podermos qualificar o ensino nos Assentamentos e Acampamentos da minha região, vou levar uma boa bagagem intelectual para a minha realidade”.

Na mesma linha, Araujo ressalta a importância da qualificação dos professores atuantes no Campo, sendo necessário romper com os paradigmas que o sistema capitalista sempre introduziu a educação.

“É desumana a forma como é tratada a educação do campo. A seleção de professores é uma forma de penalizar o profissional. Temos que mudar essa metodologia e colocar profissionais ainda mais qualificados para atuarem nesses espaços”, acredita.

Para Rubneuza Leandro, coordenadora pedagógica e da direção estadual do setor de educação do MST, a formação dos professores contribui para elevar não só o nível de consciência dos estudantes, mas também dos professores.

Segundo a dirigente, “a luta pelas escolas de alfabetização, de nível fundamental e médio, vem sendo feita desde 1996, com o intuito de criar uma segurança para os trabalhadores, ou seja, possibilitando o acesso tanto para as séries iniciais quanto para níveis médios de ensino”.