Por Wesley Lima
Da Página do MST


O desenvolvimento da agricultura familiar realizada de maneira solidária, através do trabalho coletivo, foi o destaque da Mostra Nacional de Cultura e Produção Camponesa, que se encerrou na quinta-feira (13/02), no estacionamento do Ginásio Nilson Nelson.


Com o objetivo de apresentar a diversidade cultural e a força da produção camponesa, em especial dos assentamentos de Reforma Agrária, o espaço comercializou produtos da agricultura das cooperativas, associações e coletivos no Brasil.


A atividade reuniu trabalhadores rurais de todos estados. Foi possível encontrar produtos industrializados da agricultura familiar, assim como uma diversidade de frutas, de norte a sul do país.


A Mostra também apresentou atividades culturais todas às noites, divididas em regiões, e trouxe um pouco da cultura de cada localidade, como a viola caipira, samba, forró, vanerão, chamamé, carimbó, além de apresentações de teatro, poesia e exibição de filmes.


Organização da Mostra

De acordo com Nei Zavaski, integrante da coordenação geral da Mostra, “um elemento fundamental na Mostra é o avanço dado a partir da organização. Temos duas representações: uma mais artesanal, da produção primária (...) e outra mais organizada das cooperativas de Reforma Agrária.”


O processo orgânico da Mostra se dá também a partir de duas pessoas na coordenação nacional e outra na região.


A Mostra na Perspectiva de uma Camponesa


A Mostra revela os frutos da luta pela terra. Marinalva Tavares, Assentada em Mato Grosso no Assentamento Antônio Conselheiro, relata seus primeiros passos dentro do MST a fim de conquistar a terra.


“Tudo era muito difícil, morávamos em barracos de lona com estrutura precária, mas o que nos fazia sonhar todos os dias com a terra, com o colher, era o desejo de mudança”.


Para ela a conquista da terra simbolizou o início de uma nova jornada de trabalho, que somente por meio da coletividade se sustentaria.

Hoje, o Assentamento Antônio Conselheiro está organizado em frentes de trabalho que abrangem desde o manejo com a terra até os espaços educativos, na escola da comunidade.


Prova disto é a exposição de tapetes e toalhas de mesa na Mostra, feitos em tricô por educandos.


Além do artesanato, também são expostos produtos industrializados feitos pelas famílias do assentamento, como doces, compotas, cachaça, castanha, o maracujá in natura e uma diversidade de frutas.


“Além de a gente estar vendendo, expomos e mostramos para a sociedade que produzimos com qualidade, o que para mim é o mais importante. Estamos aqui para mostrar que da terra tiramos o nosso sustento”, conclui Marinalva, compreendendo a importância da luta travada desde o acampamento até a conquista da terra.

Encerramento


De acordo com a coordenação geral da mostra, foram recebidos duas mil toneladas de alimentos, e durante os quatro dias de feira foi consumido cerca de 80% da produção. Estima-se que 30 mil pessoas visitaram o espaço.


Nei afirma que “conseguimos superar os objetivos dados para a realização da Mostra. Tínhamos uma previsão de quantidade, diversidade, participação, e quando iniciamos superamos todas as expectativas. Outro elemento positivo foi a contribuição dos estados com unidades de beneficiamento, que são as pequenas indústrias de café e farinha que estavam expostas para o público”.


“O mais importante para mim foram as vendas, não na perspectiva financeira, mas sim, por saber que os produtos da agricultura familiar chegaram à casa de muitos brasileiros, e isso é muito importante para o desenvolvimento social e a luta pela Reforma Agrária”, conclui.