Por Márcio Zonta
Da Página do MST

Fotos: Geanini Hackbardt
 
As falácias recorrentes da grande imprensa apontam para um desinteresse da permanência dos jovens nos assentamentos de Reforma Agrária. Desemprego, estudo precárioi e falta de vontade em seguir as atividades agrícolas desenvolvidas pelos pais são apontados como fatores.
 
No entanto, no VI Congresso Nacional do MST, a presença dos jovens da região amazônica apontou uma realidade diferente.
 
“Cresci no assentamento Palmares, no Pará, e lá tive a opção de estudar e participar de decisões para a melhoria de nossos espaços, por isso não penso em abandonar o campo para viver na cidade”, aponta o jovem Claiton.
 
A trajetória de vida dos pais de Claiton até o assentamento marcam um salto de melhoria na vida da família. O pai do rapaz que garimpou e perambulou como empregado em diversas fazendas da região sul e sudeste do Pará mudou após conhecer o MST.
 
“Vivíamos uma dificuldade econômica frequente, mas depois que fomos assentados tudo mudou. Meu pai passou a produzir em sua própria terra e trouxe uma autonomia de vida para a família”.
 
Claiton cursa Medicina Veterinária numa universidade pública, fruto da pressão do MST por políticas de educação para os jovens camponeses.
 
“Talvez se tivesse ido embora do assentamento, hoje não teria oportunidade de fazer um curso como esse, que é ocupado pelos filhos dos ricos da cidade”, conclui.
 
Para além da educação
 
Para a jovem maranhense Maria Cicleide, a conquista da terra garantiu à família de sete irmãos acesso a serviços públicos antes impensáveis na cidade .
 
“Fizemos o movimento contrário, saímos da cidade para o campo e como jovem não me arrependo”, reflete.
 
O pai garimpeiro passava temporada de três anos fora de casa e a mãe, responsável pelo sustento da família, foi proibida de quebrar coco por fazendeiros que grilavam terras na pré Amazonia brasileira, no Maranhão.
 
“Quase morremos de fome, todos meus irmãos sem estudar. Não tínhamos água em casa, sequer conseguíamos passar por um médico e energia era luxo”, conta.
 


Com a conquista do assentamento Vila Diamante no minicípio de Igarapé do Meio (MA) há alguns anos, todos os irmãos de Cicleide passaram a estudar, o posto de saúde local garantiu acesso à saúde e a família passou a usufruir de água e energia diariamente.
 
“Hoje tudo mudou para melhor e não tenho porque trocar o assentamento por outro lugar, aqui eu trabalho, estudo e vivo em paz, a reforma agrária é a saída para melhoria de vida dos jovens no campo”, define Maria Cicleide.