Por Geanini Hackbardt
Da Página do MST
 
Fotos: Oliver Kornblihtt
 
O desafio de serem filhos e filhas do maior movimento organizado da América Latina. O orgulho e a responsabilidade de serem herdeiros de 30 anos de luta e resistência.
 
A vontade de seguir os passos destes pés calejados que romperam cercas e conquistaram chão. E ainda, avançar na produção e na auto organização nas áreas de acampamentos e assentamentos do MST.
 
A III Assembleia Nacional da Juventude do MST, realizada nesta segunda-feira (10/02) durante o VI Congresso do MST, começou com poesia, música, teatro e todo o vigor característico dos jovens de luta. 
 
O tom político veio em seguida, com os temas citados acima e as falas de movimentos parceiros. Hellen Lima, do Levante Popular da Juventude, reafirmou a necessidade de ter força, ânimo e disciplina no próximo período. 
 
“A juventude mostrou que não esta satisfeita com esse modelo que o capital está nos impondo, um modelo de morte. Precisamos avançar nas reformas estruturais e avançar no nosso projeto de vida. É preciso agarrar o presente e segurar a nossa história para colocar a transformação que a gente quer na ordem do dia.”
 
Outros movimentos manifestaram o sentimento de unidade, como posiciona Alfredo, Secretário Nacional da Juventude da CUT. “Para nós da CUT é muito claro que não há uma divisão entre o movimento rural e o urbano.
 
Nós, juntos, compomos a classe trabalhadora e juntos, enquanto classe, vamos alcançar a transformação verdadeira.” Também estiveram presentes, Cleitinho, da Pastoral da Juventude Rural e Virgínia Barros, Presidente da União Nacional dos Estudantes. 
 
Em seguida foram levantadas questões para reflexão coletiva. “O que a nossa geração, a nossa juventude, o que nós estamos dispostos a construir? E a juventude Sem Terra vai ser um sujeito político de luta ou vai ser mais uma página virada da história?”, indagou Thaile Lopes, coordenadora da Plenária. 
 
Miguel Stédile, da coordenação nacional do MST, reiterou as perguntas. “Companheiros, eu tive o privilégio de estar aqui na marcha de 1997, quando o MST chegou à capital com 100 mil pessoas, em marcha, com tamanha organicidade que o exército afirmou que não seria capaz de fazer igual, movendo uma cidade por dia. A direção nacional não está aqui para dizer a vocês o que fazer. A direção nacional está aqui para ouvir de vocês o que irão construir.”
Como resposta foi apresentado o Manifesto da Juventude Sem Terra na luta pela Reforma Agrária Popular, no qual estão contidos os compromissos de lutar com intransigência contra os inimigos da classe, seguir fazendo luta de massa e organizando coletivamente o MST e construir unidade política na esquerda.
 
A assembleia encerrou com um juramento coletivo, no qual todos os jovens afirmaram: “Nos comprometemos a não recuar nem um centímetro da decisão de lutar!”.