Por Solange Engelmann
Da Página do MST
 
 
O 6° Congresso Nacional do MST, que ocorre entre os dia 10 a 14 de fevereiro, no Ginásio Nilson Nelson, em Brasília/DF, espera reunir cerca de 16 mil delegados e delegadas do MST, dos 23 estados brasileiros e 250 convidados internacionais.
 
Para que o evento se realize, está sendo montado um grande acampamento no entorno do Ginásio, equivalente a uma mini cidade, com uma estrutura equivalente a mais de quatro campos de futebol.
 
Segundo Diego Moreira, da direção nacional do MST do Paraná, o Congresso é um momento de sistematização do debate coletivo que se iniciou há dois anos na base do MST, e que possibilitou a apropriação do debate sobre o limite e o esgotamento do projeto da Reforma Agrária clássica e a necessidade de construção da Reforma Agrária Popular. 
 
“O esgotamento da Reforma Agrária clássica está sendo percebido pela base Sem Terra a partir do avanço do agronegócio, a não desapropriação de terra e a ausência da Reforma Agrária. Essa conjuntura permite que a base entenda, na prática a necessidade da construção de um projeto de Reforma Agrária Popular”, analisa Moreira.
 
De caráter massivo, o objetivo central do Congresso é definir a política de atuação do MST para o próximo período, reafirmando a necessidade da luta pela terra e por Reforma Agrária Popular no país.
 
E celebrar os 30 anos do Movimento, que conquistou o assentamento para cerca de 350 mil famílias, que adquiriram o acesso à terra para o sustento das famílias e melhoria das condições de vida.
 
Estrutura 
 
Ao todo, na parte externa do Ginásio Nilson Nelson está sendo montado uma estrutura de cerca de 38 mil metros quadrados de tendas para o funcionamento das cozinhas, alojamentos e barracas de apoio, como recepção e credenciamento, saúde, ciranda infantil, delegação internacional, entre outros. Também serão instalados 280 chuveiros para banho e 400 banheiros químicos.
 
Para a alimentação dos participantes do Congresso, durante toda a semana estarão em funcionamento aproximadamente 150 cozinhas, em que serão preparadas refeições com alimentos produzidos pelos Sem Terra nos assentamentos e acampamentos do MST.
 
A previsão é de que todos os dias sejam consumidos em média 10 mil toneladas de alimentos e em torno de 300 mil litros de água, na preparação das refeições, instalações de banheiros, limpezas, bebedouros etc. 
 
A preparação da estrutura física do Congresso vem sendo gestada desde o final do ano passado. A partir do dia 21 de janeiro, cerca de 140 militantes do MST estão em Brasília envolvidos em várias equipes, trabalhando para garantir a realização do Congresso.
 
A instalação das estruturas externas e internas ao Nilson Nelson tiveram inicio na última terça-feira. Ainda faltam as instalações de algumas tendas de alojamentos, chuveiros e banheiros. A previsão é que estejam todas montadas até o final da tarde de sábado (08/02), para receber as delegações de Sem Terra dos estados e os convidados nacionais e internacionais.
 
Mostra Nacional da Cultura e Produção Camponesa
 
Simultâneo ao VI Congresso do MST, de 10 a 13 de fevereiro estará em funcionamento a Mostra Nacional da Cultura e Produção Camponesa, ao lado do Ginásio Nilson Nelson.
O evento é organizado pelas cooperativas, associações, coletivos de produção e organizações de assentamentos rurais de vários estados brasileiros.
 
No espaço serão comercializados produtos in natura e industrializados produzidos pelos trabalhadores e trabalhadoras de assentamentos de Reforma Agrária.
 
Segundo Milton Fornazieri, do setor de produção do MST, o objetivo é apresentar à sociedade a diversidade da produção dos assentamentos e a necessidade da agroindustrialização do campo, em que os trabalhadores tenham o controle do beneficiamento dos alimentos produzidos. 
 
“A Mostra busca, a partir da exposição e venda de produtos da Reforma Agrária, dialogar com a sociedade sobre a importância da agricultura familiar, responsável por 70% da comida que chega à mesa dos lares brasileiros, em toda sua diversidade”, explica o dirigente.
 
Serão mais de 2 mil metros de tendas com produtos típicos de cada região brasileira, em que estarão em funcionamento 12 pequenas agroindústrias de produção de caldo de cana, farinha de mandioca, erva mate, produção de cachaça artesanal, entre outras. 
 
O evento também conta com espaço para a apresentação da cultura camponesa, troca de mudas e sementes e apresentações culturais das cinco regiões do Brasil.