Da Página do MST

 

A compreensão do MST quanto à importância da comunicação popular surge a partir de um processo de luta coletivo, na formação como organização nacional há 30 anos.

Diante disso, a criação do setor e dos veículos de comunicação do MST possui papel fundamental no processo organizativo, de mobilização e expansão nos 23 estados, além da divulgação das bandeiras de luta, junto aos trabalhadores do campo e no debate do projeto de Reforma Agrária no Brasil.

O MST luta pela democratização dos meios de comunicação, o fim do latifúndio do ar e o monopólio da comunicação. A construção de instrumentos de comunicação populares, em que os trabalhadores brasileiros sejam protagonistas do processo de produção e elaboração de uma comunicação contra-hegemôncia e libertadora se faz necessária.

Durante seus 30 anos de luta, o MST criou vários meios de comunicação populares e alternativos, com abrangência nacional, estadual e regional, sendo os principais: as rádios comunitárias, a Revista Sem Terra, o Jornal Sem Terrinha e página na internet, além de investir na formação de seus próprios militantes em comunicadores da Reforma Agrária.

Inicialmente os responsáveis pela comunicação do MST faziam parte do setor de jornal e propaganda, que a partir do final da década de 1990 passa a ser chamado de Setor de Comunicação. Este tem a função de orientar as discussões e construir as linhas políticas do processo de comunicação do MST, no âmbito interno, junto à base e no diálogo com a sociedade.  

Após os anos 2000, o Setor de Comunicação tem adquirido importância, na medida em que o MST percebe a necessidade de construir uma política de comunicação popular e contra-hegemônica, voltada para a organização dos trabalhadores Sem Terra e a divulgação das bandeiras de luta, junto à classe trabalhadora e à sociedade.

Jornal Sem Terra forma consciência dos trabalhadores

Um dos principais precursores do processo de comunicação popular no MST é o Jornal Sem Terra (JST), que surge antes da fundação do MST, em 1981 no acampamento da Encruzilhada Natalino, em Ronda Alta (RS).

Quando o acampamento se tornou área de segurança nacional pelo regime militar e foi cercado pelo Exército, as famílias acampadas procuraram uma forma de romper o cerco físico e político imposto pela ditadura militar, e criaram para isso o Boletim Sem Terra, que depois se tornou o Jornal Sem Terra.

Seu objetivo principal é informar a sociedade sobre a realidade dos trabalhadores Sem Terra, as demandas de luta e conquistas do MST, bem como manter a base informada sobre as lutas da classe trabalhadora em andamento no país.

A página do Movimento na internet tem o objetivo de divulgar as lutas, objetivos e conquistas do MST para a sociedade.  A página também é um contraponto à mídia burguesa, por mostrar um MST diferente do retratado nas páginas dos grandes jornais e nas emissoras.

O curso de jornalismo da terra, com o objetivo de democratizar o ensino superior e a comunicação, colocou 44 filhos e filhas de assentados na universidade, que agora estão mais capacitados para atuar na comunicação de seus estados, realizando coberturas das ações e do dia a dia do MST.

O MST sempre priorizou sua comunicação, tanto interna quanto externa, e o setor de comunicação cumpre o papel de denunciar a mídia burguesa, o agronegócio e, apontando as conquistas e lutas do movimento, mostrar que um tipo diferente de sociedade é possível.