Por Rafael Soriano
Da Página do MST

Na tarde desta quarta-feira (5), o Plenário 1 da Câmara dos Deputados recebeu um ato público em homenagem aos 30 anos do MST e de lançamento do 6° Congresso Nacional do Movimento, que acontece na próxima semana entre os dias 10 e 14/02, em Brasília.

A iniciativa partiu dos deputados Valmir Assunção (PT-BA) e Marcon (PT-RS) e reuniu 28 deputados e 2 senadores de diversos partidos.

Pela coordenação do MST, participaram da mesa de exposições Alexandre Conceição e Cristina Vargas, que puderam traçar os desafios colocados ao Movimento de luta pela terra e à classe trabalhadora neste momento histórico.

“Com muito orgulho e alegria, lançamos nosso 6° Congresso aqui nesta casa, com todas as suas limitações, mas acompanhados de companheiros de luta, a quem convocamos para reforçar a luta pela terra”, ressaltou Alexandre, lembrando que a Reforma Agrária não depende apenas de quem vive no campo, mas dos estudantes, de parlamentares comprometidos e de toda sociedade para que ela se efetive massivamente.

Além do detalhamento da programação de atividades do 6° Congresso, os militantes refletiram a necessidade do salto histórico em direção a uma Reforma Agrária Popular, proposta pelo MST.

Eles defenderam que este novo programa agrário continua partindo do enfrentamento ao latifúndio, com desapropriação de terras e criação de assentamentos, mas que avança na direção da produção de alimentos sob a matriz agroecológica, sem venenos, do aumento de renda das famílias e na alteração global “do cenário em que as famílias camponesas vivem, para que estas tenham dignidade para viver no campo”.

Homenagens 

Além das homenagens em torno dos 30 anos de trajetória de lutas e conquistas do MST, outro tema recorrente nas falas dos parlamentares foi a passagem dos 5 anos da morte do Deputado Adão Pretto. Adão foi o primeiro deputado Sem Terra e foi uma referência dos movimentos sociais, coerente com os princípios socialistas, sempre na linha de frente na defesa da justiça social e da luta pela terra.

Diversos deputados se sucederam nas falas ressaltando o valor destes 30 anos de luta do MST, entre os quais lideranças de partidos como Vicentinho (PT) e Ivan Valente (PSOL).

“A Comissão de Agricultura é a comissão da perversidade, porque sua grande maioria é composta de fazendeiros e seus aliados. Ali encontramos muita dificuldade na aprovação de qualquer projeto na defesa do campo”, alertou o Deputado Vicentinho.

Vicentinho ainda ressaltou que a vinda de dezenas de companheiros para o ato demonstra, contudo, que naquela casa os Sem Terra têm parceiros em defesa da Reforma Agrária.

Nas palavras de Ivan Valente, “o MST é um movimento de massas e precisa continuar como tal, de pressão, de baixo pra cima, socialista de base. Assim deve continuar com os direcionamentos deste seu 6° Congresso”. Salientou que o MST “continua sendo o grande exemplo de luta da classe trabalhadora brasileira”, com papel crucial para alterar os rumos do processo de “reprimarização” do país.

Ainda durante o ato de lançamento do 6° Congresso, parlamentares e público presente assistiram a uma intervenção artístico-cultural realizada por um grupo do MST, que, com muita animação popular, chamou atenção para os pilares arcaicos da sociedade brasileira, como a justiça conservadora, o latifúndio e sua miséria, a polícia violenta e os meios de comunicação hegemônicos.