Por Reynaldo Costa
Da Página do MST

Por todos os cantos do estado do Maranhão trabalhadores rurais Sem Terra aguardam ansiosos a viagem para Brasília, onde irão participar do 6º Congresso Nacional do MST e comemorar os 30 anos do Movimento, entre os dias 10 a 14 de fevereiro, no Ginásio Nilson Nelson.

Neste Congresso, quando estarão presentes cerca de 15 mil pessoas, o estado envia uma delegação de 450 militantes entre acampados, assentados e amigos do Movimento. Os participantes são definidos coletivamente dentro de suas comunidades.

O primeiro congresso do MST aconteceu em 1985, em Curitiba no Paraná, quando a situação da questão agrária naquele período era de conflito em todos os cantos do país.
Entretanto, para Gilvania Ferreira, da coordenação estadual do MST, os Sem Terra do Maranhão levam para este congresso uma situação semelhante àquela realidade de décadas atrás.

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“A situação no Maranhão é de assassinatos no campo, despejos violentos, de grilagens e de acampamentos cercados por pistoleiros, uma realidade que em 30 anos não se alterou”, denuncia Gilvania.

Entre tambores e palhas

Entre os símbolos da cultura maranhense que os Sem Terra levarão para o congresso está os Tambores de Crioulas, Patrimônio Imaterial da Humanidade e uma das maiores culturas do estado, muito presente nas comunidades e assentamentos onde o MST está organizado.

Já a barraca da Regional Amazônica no Congresso será toda feita de palha de babaçu, um símbolo de resistência e da sobrevivência da maioria da população camponesa do Maranhão.

Autosustento

Como todos os outros estados, os Sem Terra no Maranhão constroem sua própria sustentação. Assim os trabalhadores do Maranhão estão contribuindo com a alimentação da delegação que participará da atividade.

Os transportes são bancados também pelos próprios assentados e em outros casos, os amigos apoiadores da Reforma Agrária também contribuem.

Durante o congresso, entre muitos estudos e debates, haverá uma feira da Reforma Agrária com produtos levados dos assentamentos.