Por Raul Amorim e Thaile Lopes
Do Setor de Juventude do MST

 

A participação da juventude no MST é fruto de um processo de construção coletiva, desde sua fundação em seus diferentes espaços, mas sobretudo na luta e na organização.

Vivemos em uma realidade marcada de desafios, e ao falarmos de juventude Sem Terra hoje, precisamos compreendê-la dentro do contexto em que se encontra o desenvolvimento do capitalismo no campo, os limites e desafios colocados para sua organização. 

Trabalhar com a juventude é fundamental na construção de qualquer projeto de sociedade. O MST é um movimento de luta e deve estar num processo permanente de renovação, buscando formas de inserir as novas gerações na luta pela transformação social.

A marcha nacional de 2005 pela Reforma Agrária foi um marco da necessidade de construir espaços em que os jovens pudessem ter participação mais orgânica no MST.

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Neste processo se constroi a primeira Assembleia da Juventude, que resultou na criação do Coletivo Nacional de Juventude do MST. 

A juventude realiza diversas lutas em torno da Educação do Campo, trabalho e geração de renda, do direito de viver no meio rural e de políticas públicas para a juventude.

Desde 2010, como expressão conjunta das lutas, se organiza a Jornada Nacional da Juventude Sem Terra, em agosto. Este processo tem possibilitado construir um programa de formação e mobilização da juventude. 

Construímos também articulações com as organizações da Via Campesina e da juventude urbana em diversas lutas desde 2000, contribuindo na construção do Coletivo da Juventude Campo e Cidade, e posteriormente do Levante Popular da Juventude. E desde o ano passado contribuímos na organização da Jornada de Lutas da Juventude Brasileira.  

A questão da organização da juventude Sem Terra tem que ser entendida na luta e na construção da Reforma Agrária Popular.

Neste sentido, a auto-organização é uma dimensão fundamental, formando e ampliando os coletivos de juventude nos acampamentos e assentamentos, nas escolas, cooperativas, grupos culturais e de produção entre outras formas, para enfrentar os desafios do movimento e da Classe Trabalhadora.

Assim faremos da III Assembleia Nacional da Juventude durante o VI Congresso a expressão da criatividade, rebeldia e ousadia da Juventude Sem Terra.