O Massacre de Felisburgo está prestes a completar nove anos. Diversas atividades foram realizadas ao longo do último período para discutir a impunidade que ainda cerca o massacre, que executou cinco trabalhadores rurais e ainda feriu a bala outras 12 pessoas - dentre eles uma criança -, queimou a escola local e vários barracos, deixando centenas de famílias somente com a roupa do corpo no acampamento Terra Prometida, na fazenda Nova Alegria, em Felisburgo (MG), em 20 de novembro de 2004.

As atividades em torno do Massacre de Felisburgo visaram, sobretudo, reivindicar a punição do latifundiário e mandante do crime, Adriano Chafik, e seus pistoleiros, uma vez que Chafik foi Júri Popular por três vezes, mas sempre conseguiu manobras políticas e judiciais para adiar o julgamento.

Na última vez, no dia 21 de agosto, Chafik novamente conseguiu o adiamento do julgamento, após a justiça atender a um pedido do advogado do fazendeiro, que alegou motivos de saúde do réu.

No entanto, o juiz Glauco Soares acatou o pedido de prisão preventiva de Chafik e de outros três réus. Agora, o julgamento está oficialmente marcado para o próximo dia 10 de outubro de 2013.

Entre as pautas colocadas pelos Sem Terra, também há a exigência da desapropriação da área da fazenda Nova Alegria para fins de Reforma Agrária e a indenização das famílias vítimas da chacina.

Nenhuma das famílias das vítimas foi indenizada e o decreto, referente à desapropriação da fazenda Nova Alegria assinado pelo então presidente Lula, em 2009, ainda não foi cumprido. A área não cumpre a sua função social diante dos crimes ambientais já verificados.

Histórico

Em 20 de novembro de 2004, o fazendeiro Adriano Chafik Luedy e seus jagunços invadiram o acampamento Terra Prometida, no município mineiro de Felisburgo, assassinaram cinco trabalhadores rurais Sem Terra e deixaram mais de 20 gravemente feridos. O Massacre de Felisburgo, que completa oito anos nesta semana, é considerado um retrato da atualidade da violência no campo, da impunidade da Justiça e da paralisação da Reforma Agrária.

Cerca de 230 famílias haviam ocupado a Fazenda Nova Alegria, considerada devoluta pelo Iter (Instituto de Terras de Minas Gerais), em 1º de maio de 2002. Dois anos depois, o latifundiário Adriano Chafik comandou pessoalmente o ataque às famílias. O fazendeiro foi preso e posto em liberdade por duas vezes, por decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça), mesmo depois de confessar a participação na chacina em depoimento. Atualmente, ele aguarda o julgamento do Tribunal do Júri de Belo Horizonte, enquanto seus advogados protelam sua realização.

A impunidade se mantém, mas este ano será diferente dos anteriores para as famílias de Felisburgo. Com a Jornada de Lutas por Reforma Agrária realizada em agosto de 2009, o MST conquistou definitivamente a criação do assentamento Terra Prometida.

Pouco após a Jornada, no dia 19/08, o presidente Lula assinou o Decreto que declara de interesse social, para fins de Reforma Agrária, a área de 1.182 hectares da fazenda Nova Alegria. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) ficou autorizado a promover a desapropriação do imóvel rural de que trata o Decreto e efetivar o assentamento de cerca 40 famílias Sem Terra, do MST.

Entenda o caso
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