O MST realizou uma série de ações no Dia Internacional da Luta Camponesa da Via Campesina, com atos, manifestações, marchas, vigílias e sessões solenes em 13 estados do país, em memória aos 19 trabalhadores assassinados 10 anos atrás pela PM (Polícia Militar) do estado do Pará, que ficou conhecido como Massacre Eldorado de Carajás. Até o final da semana, mais atividades devem acontecer em outros estados.

O massacre é um caso exemplar da impunidade uma vez que, depois de uma década, permanecem soltos os 155 policiais participantes da operação. Dos 144 incriminados, os dois únicos condenados - o coronel Mário Collares Pantoja e o major José Maria Pereira de Oliveira - estão em liberdade. Os responsáveis políticos, o governador Gabriel e o secretário de Segurança Pública, Paulo Sette Câmara, não foram indiciados.

“O MST acredita que apenas uma Reforma Agrária integral e genuína, que desconcentre a propriedade da terra e resolva os problemas dos pobres no campo, vai acabar com a violência das áreas rurais. Nesse sentido, exigimos do governo federal o assentamento das mais de 150 mil famílias acampadas nas beiras de estrada”, diz nota da coordenação nacional do MST, divulgada nesta segunda-feira.

Nesse sentido, as ações do MST apresentam três eixos: relembram o Massacre de Eldorado de Carajás, exigem a aceleração do processo Reforma Agrária (com o assentamento das 150 mil famílias Sem Terra acampadas e a atualização dos índices de produtividades), e combatem o modelo do agronegócio.

Nas regiões norte e nordeste, famílias Sem Terra fizeram vigílias em Rondônia, ocupação na Bahia, manifestações na Paraíba e em Alagoas. No Pará, aconteceu um ato ecumênico e um ato político no mesmo local e hora onde aconteceu o massacre. Em Pernambuco, cinco estradas foram fechadas e foram reivindicadas as cestas básicas atrasadas por quatro meses.

No sudeste, foi realizado um protesto em defesa dos direitos humanos no centro de São Paulo, um ato em repúdio a impunidade, em Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro e duas ocupações de terra em Minas Gerais.

Na região sul, os Sem Terra catarinenses fizeram uma marcha e, no Rio Grande do Sul, foram trancados 12 pontos de rodovias por 19 minutos para lembrar da morte dos trabalhadores no Pará.

No Distrito Federal, parlamentares realizaram sessões solenes na Câmara dos Deputados Federais e na Assembléia Legislativa e duas fazendas foram ocupadas. No Mato Grosso, camponeses fizeram uma vigília em frente à sede da Justiça Federal de Cuiabá.

“Só com um processo efetivo de Reforma Agrária, a consolidação da agricultura camponesa, casada com agroindústrias, assistência técnica, educação e uma nova tecnologia agrícola que respeite o ambiente, será possível melhorar a condição de vida dos camponeses, diminuir substancialmente a violência e acabar com a fome de milhares de brasileiros. É por isso que fazemos mobilizações no Dia Internacional da Luta Camponesa”, finaliza nota do MST.