A governadora Ana Júlia Carepa votou na última sexta-feira, dia 7, pela reestatização da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), no último dia do plebiscito popular organizado pelas organizações sociais brasileiras. A governadora respondeu “não” a pergunta: “A Vale deve continuar nas mãos do capital privado?”.

Ana Júlia Carepa declarou seu voto abertamente dizendo que estava obedecendo à decisão do Partido dos Trabalhadores (PT) ratificada pelas lideranças partidárias no último congresso nacional do partido. A governadora, no entanto, disse que respeita a posição do presidente Luis Inácio Lula da Silva ao se declarar a favor da privatização. “Respeito a posição do presidente Lula, mas assumo a indicação das lideranças do meu partido”, avaliou.

Para a governadora, a empresa mineradora tem lucros “fantásticos e deixa muito pouco no Estado do Pará”. Ana Júlia Carepa é a favor do controle social da Vale. “A companhia deve pensar melhor no desenvolvimento do Pará e do Brasil. No nosso caso (Pará), o que vemos é a contratação de mão-de-obra de fora, desprezando a força de trabalho dos paraenses”, ressaltou.

A governadora também criticou a falta de reflexão da empresa sobre a decisão do Congresso Nacional que por um lado isentou do pagamento de impostos a exportação de minério brasileiro e em contrapartida reformulou a lei dos royalties, garantindo maior retorno de recursos ao estado minerador. “Não podemos conviver com isso. Diante desse quadro, o Congresso deve repensar também a legislação do setor. Portanto, considero válido e legítimo esse plebiscito popular. Como cidadã paraense e em reforço da democracia brasileira, declaro meu voto reforçando que a Vale deve repensar seu papel, investir mais e melhor no Pará e respeitar o poder local”, afirmou.

A governadora disse que os paraenses têm orgulho de contribuir sobremaneira para o crescimento da balança comercial brasileira. “Não vamos admitir que essa riqueza não chegue primeiramente para o povo do Pará”, finalizou.

Com o slogan “A Vale é Nossa”, a organização do plebiscito popular esteve nas ruas de Belém com urnas itinerantes, aproveitando a movimentação deste 7 de setembro em que se comemora 185 anos da independência do Brasil. A Governadora votou em uma urna na igreja Nossa Senhora Aparecida, no bairro da Pedreira, e só respondeu a primeira pergunta das quatro formuladas pelo plebiscito popular sobre temas relacionados à dívida externa, energia elétrica e reforma da previdência.

Lindomar Silva, representando a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Cáritas do Brasil, disse que o plebiscito teve início dia 1º de setembro em todo o país. Segundo ele, a privatização da Vale pode ser anulada por decisão judicial.

A Vale foi privatizada pelo valor de R$ 3,3 bilhões em 1997. Por ano, a empresa aufere lucros de R$ 14 bilhões. Em 2006 o Poder Judiciário julgou irregular o leilão.

Fonte: Lázaro Araújo, da Agência Pará